Glitter e strass no Carnaval: saiba os riscos para os olhos

Na semana do Carnaval, o brilho que domina fantasias e maquiagens também aumenta o número de atendimentos por irritações e inflamações nos olhos. Partículas de glitter, strass e resíduos de produtos cosméticos podem atingir a superfície ocular e provocar desde ardor intenso até quadros mais graves, segundo alerta do oftalmologista Lucas Emery, do Hospital de Olhos de Vitória.

O problema se repete todos os anos e ganha força com a popularização de maquiagens artesanais e produtos aplicados sem orientação adequada. “O glitter comum não foi desenvolvido para uso na região dos olhos. Ele tem bordas irregulares e, ao entrar em contato com a córnea, pode causar microlesões, inflamações e infecções”, explica Emery.

 

Brilho nos olhos, risco real

Durante a folia, o risco aumenta por uma combinação de fatores: suor excessivo, contato frequente das mãos com o rosto, vento, aglomerações e uso prolongado da maquiagem. Segundo o especialista, partículas soltas podem se desprender com facilidade e atingir diretamente os olhos.

“Quando o glitter entra no olho, a reação mais comum é coceira. O problema é que esfregar piora a situação, porque o atrito pode arranhar a córnea”, afirma. Ele alerta que, em alguns casos, o desconforto evolui para dor, vermelhidão intensa, lacrimejamento e sensibilidade à luz.

 

Caso reforça o alerta

No Carnaval do ano passado, um episódio chamou atenção nas redes sociais e ajudou a ampliar o debate sobre os riscos de produtos cosméticos na região ocular. A filha da influenciadora digital capixaba Bryce Caniçali desenvolveu uma inflamação ocular grave após usar uma pomada modeladora para tranças e mergulhar em uma piscina dois dias depois, sem remover completamente o produto. O relato foi compartilhado pela própria influenciadora e serviu de alerta para outros pais.

Para Lucas Emery, o caso ilustra como resíduos químicos podem desencadear reações importantes. “Produtos capilares, maquiagens e pomadas não devem ter contato com os olhos. Quando isso acontece, especialmente associado à água de piscina ou mar, o risco de inflamação aumenta consideravelmente”, explica.

 

O que pode acontecer

As complicações variam conforme o tipo de produto e o tempo de exposição. O oftalmologista aponta que os quadros mais comuns incluem conjuntivite química, ceratite e abrasões na córnea. “Em situações mais graves, pode haver infecção e necessidade de tratamento prolongado, sempre com acompanhamento médico”, diz.

Ele reforça que o uso de colírios sem prescrição pode mascarar sintomas e agravar o problema. “Nem todo colírio serve para qualquer situação. Alguns podem até piorar a lesão”, alerta.

 

Cuidados essenciais na folia

Para quem não abre mão do brilho, a recomendação é optar apenas por produtos específicos para a área dos olhos, com indicação clara no rótulo. “Glitter cosmético próprio para uso ocular é mais fino e menos agressivo, mas ainda assim exige cuidado”, afirma Emery.

Outras orientações incluem evitar aplicar maquiagem muito próxima à linha d’água, remover completamente os produtos antes de dormir e lavar bem o rosto após os blocos. Em caso de contato acidental com glitter ou outro produto, a orientação é lavar os olhos com soro fisiológico ou água corrente em abundância e procurar atendimento se os sintomas persistirem.

“O Carnaval passa, mas a visão precisa durar a vida toda”, resume o especialista.

O Hospital de Olhos de Vitória reforça que, diante de dor intensa, visão embaçada ou vermelhidão que não melhora, a busca por avaliação oftalmológica deve ser imediata, inclusive durante o período de festas.

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