Um descuido de segundos durante o trajeto para o trabalho quase custou a visão de uma motociclista da Grande Vitória. Aos 46 anos, Rosilene Lima dos Santos sofreu um trauma ocular grave após levantar a viseira do capacete enquanto pilotava e ser atingida por um objeto estranho diretamente no olho.
Rosilene seguia de moto de Cariacica Sede para Itacibá, percurso que faz diariamente. Por achar o capacete muito fechado, levantou a viseira. Foi quando sentiu que um corpo estranho havia entrado nos olhos. “Eu senti na mesma hora e parei a moto. Entrou um objeto estranho no meu olho e eu quase fiquei cega”, relatou.
Dor intensa e perda momentânea da visão
Após o impacto, Rosilene conseguiu parar a moto e pedir ajuda a um homem que lavava a calçada. A tentativa de aliviar o incômodo com água não funcionou. “Quanto mais jogava água, piorava. A dor era muito forte”, contou.
Mesmo ferida, ela conseguiu seguir até o trabalho, chegando lá foi orientada a buscar ajuda no Hospital São Francisco, em Cariacica. “Parecia que tinha um vidro dentro do olho. Eu não conseguia nem abrir, nem fechar, de tanta dor”, lembra Rosilene.
Encaminhada inicialmente para o hospital da região, passou por lavagem ocular, mas o objeto não saiu. Em seguida, foi direcionada ao Hospital de Olhos de Vitória.
Cirurgia imediata evitou sequelas mais graves
No Hospital de Olhos de Vitória, Rosilene foi atendida pelo oftalmologista Rafael Paiva e levada para cirurgia de urgência. “Ele falou que precisava me atender na mesma hora. Eu estava com muita dor, meu olho latejava demais”, relatou.
Segundo o médico, o trauma foi causado por um fragmento metálico extremamente fino. “Ficou um fiapinho, como se fosse um fio de cobre bem fino, que penetrou no olho. Foi um trauma ocular penetrante por corpo metálico”, explicou Rafael Paiva.
O especialista destaca que esse tipo de material representa alto risco para a visão. “É um corpo estranho com efeito devastador quando entra no olho”, afirmou.
Atendimento rápido foi decisivo
A cirurgia foi realizada cerca de uma hora e meia após a chegada da paciente ao hospital. De acordo com o oftalmologista, o tempo e as condições favoreceram o procedimento. “Ela estava em jejum e o hospital estava com a equipe completa naquele momento, o que permitiu a cirurgia imediata”, explicou.
Mesmo com o atendimento rápido, Rafael Paiva reforça que traumas oculares podem deixar sequelas permanentes. “No olho, qualquer sequela pode causar baixa visual importante. A pessoa pode perder 10%, 20%, 30% da visão ou até perder o olho”, alertou.
Recuperação e alerta para outros motociclistas
Após a cirurgia, Rosilene se recuperou bem e voltou a enxergar normalmente. O susto, no entanto, deixou marcas. “Eu fiquei com muito medo de não enxergar mais direito. Graças a Deus, hoje eu estou bem”, disse.
Desde o acidente, ela mudou completamente os hábitos ao pilotar. “Eu não ando mais com a viseira aberta. Agora eu baixo a viseira e ainda uso óculos. Falo para todo mundo não andar com a viseira levantada, porque é muito perigoso”, afirmou. Ainda, segundo ela, toda vez que passa pelo mesmo trajeto, o episódio volta à memória. “Isso fica gravado na cabeça da gente”.
Uso da viseira evita acidentes graves
O oftalmologista Rafael Paiva reforça que o caso de Rosilene não é isolado. “Atendemos muitos casos de insetos, pedras e partículas que atingem os olhos de motociclistas. A viseira existe para impedir exatamente esse tipo de trauma”, explicou.
Rafael Paiva também alerta para o uso de óculos de proteção em atividades profissionais e domésticas. “Não é só acessório ou proteção solar. Óculos funcionam como uma barreira mecânica contra partículas que podem causar traumas graves”, concluiu.
