Ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento excessivo e visão embaçada. Embora muitas pessoas considerem esses sintomas apenas um incômodo passageiro, eles podem indicar a Síndrome do Olho Seco, uma doença ocular crônica que afeta mais de 20 milhões de brasileiros segundo a Associação de Portadores de Olho Seco e pode comprometer significativamente a qualidade de vida quando não é tratada.
Para conscientizar a população sobre o problema, o mês de julho é marcado pela campanha ‘Julho Turquesa’, iniciativa dedicada à prevenção, diagnóstico precoce e ao tratamento do olho seco.
Segundo o oftalmologista do Hospital de Olhos de Vitória, Dr. Pedro Trés Vieira Gomes, o olho seco deixou de ser uma condição restrita aos idosos e passou a atingir pessoas de diferentes faixas etárias.
“Hoje observamos um número crescente de pacientes jovens com sintomas de olho seco. O uso intenso de computadores, celulares e tablets faz com que a pessoa pisque menos, reduzindo a lubrificação natural dos olhos. É um problema que merece atenção porque pode evoluir e impactar atividades simples do dia a dia, como dirigir, trabalhar ou estudar”, explica.
Muito além da falta de lágrimas
Ao contrário do que muitos imaginam, a Síndrome do Olho Seco não acontece apenas quando há pouca produção de lágrimas. Em muitos casos, a quantidade é normal, mas a qualidade da lágrima está comprometida, fazendo com que ela evapore rapidamente e deixe a superfície ocular desprotegida.
O médico ressalta que entre os principais sintomas estão: Ardor e queimação; sensação de areia ou corpo estranho; vermelhidão; coceira; sensibilidade à luz;
visão embaçada que melhora após piscar; e lacrimejamento excessivo, uma resposta do organismo à irritação ocular.
“É comum o paciente achar contraditório ter olho seco e lacrimejar ao mesmo tempo. Na verdade, essa lágrima produzida em excesso é de baixa qualidade e surge como um mecanismo de defesa diante da irritação ocular. Ela não resolve o problema”, esclarece o médico.
Diagnóstico evita complicações
O diagnóstico é realizado durante a consulta oftalmológica por meio da avaliação clínica e de exames específicos que medem tanto a quantidade quanto a qualidade da lágrima, além da integridade da superfície ocular.
Quando não tratado, o olho seco pode causar inflamações recorrentes, lesões na córnea, infecções e piora progressiva da qualidade visual.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto antes identificamos a causa do problema, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar complicações que podem afetar permanentemente a saúde ocular”, afirma o médico.
Tratamento personalizado
O tratamento depende da causa e da gravidade da doença. Além das lágrimas artificiais, atualmente existem diversas opções terapêuticas que atuam na origem do problema.
Entre elas estão medicamentos anti-inflamatórios específicos, higiene das pálpebras, tratamento das glândulas responsáveis pela produção da camada lipídica da lágrima, procedimentos realizados em consultório e mudanças de hábitos, como pausas durante o uso de telas e maior hidratação.
“O tratamento evoluiu muito nos últimos anos. Hoje conseguimos oferecer abordagens individualizadas, que vão além do simples colírio lubrificante. O objetivo é tratar a causa da doença, reduzir a inflamação e devolver conforto ao paciente”, destaca.
O médico ressalta que a automedicação deve ser evitada, já que nem todo colírio é indicado para uso frequente. “Cada paciente apresenta um tipo de olho seco e, por isso, a escolha do tratamento deve ser feita após avaliação oftalmológica. O uso indiscriminado de colírios pode mascarar sintomas ou até agravar o quadro, pontua Dr. Pedro.
Como prevenir
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco e aliviar os sintomas:
Fazer pausas regulares durante o uso de computadores e celulares; piscar conscientemente com mais frequência ao utilizar telas; manter boa hidratação e evitar que ar-condicionado ou ventiladores incidam diretamente sobre o rosto.
