O mês de abril é marcado pela campanha Abril Marrom, uma ação nacional de conscientização voltada para à prevenção de cegueira e à promoção da saúde ocular. De acordo com o IBGE, 6,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual, sendo 1,2 milhão com cegueira irreversível. A maior parte desses casos, no entanto, poderia ser evitada com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
“Cerca de 90% dos casos de deficiência visual são evitáveis ou tratáveis. Esse dado é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O diagnóstico precoce permite que o tratamento comece ainda nos estágios iniciais da doença, o que evita a evolução para quadros mais graves e, em muitos casos, impede a perda total da visão”, explica o oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória, Cesar Ronaldo Filho,
Dentre as principais causas de cegueira estão doenças tratáveis, como a catarata, que responde por cerca de 50% dos casos, o glaucoma, e a degeneração macular relacionada à idade. Doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão arterial também impactam a saúde dos olhos e podem causar complicações sérias, como retinopatia diabética e derrame ocular.
“A cegueira não é consequência natural da idade, como muitos acreditam. Ela está, na maioria das vezes, ligada a doenças que têm tratamento — desde que diagnosticadas a tempo. A prevenção ainda é o caminho mais seguro. Consultas regulares com o oftalmologista, uma boa alimentação, controle de peso, e evitar cigarro e álcool são hábitos que protegem a visão”, reforça o médico.
Fator de risco para demência
Além dos impactos físicos, a baixa acuidade visual em idosos pode representar um risco adicional: o desenvolvimento de demências. Um estudo publicado no American Journal of Epidemiology identificou uma associação entre deficiência visual e o surgimento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A pesquisa também mostrou que idosos que realizam exames oftalmológicos preventivos têm 63% menos risco de desenvolver demência.
“Dificuldades para enxergar podem levar ao isolamento social, à redução dos estímulos cerebrais e à perda de autonomia, fatores que contribuem para acelerar processos de degeneração cognitiva”, explica o oftalmologista Cesar Ronaldo.
O estudo reforça a importância de um acompanhamento oftalmológico contínuo, especialmente na terceira idade. “Cuidar da saúde dos olhos é garantir mais independência, qualidade de vida e bem-estar. Um acompanhamento multidisciplinar nessa fase da vida é essencial para manter a funcionalidade e prevenir outros problemas”, conclui o médico.