Deficiências invisíveis afetam aprendizagem de 1 em cada 10 alunos, diz pesquisa

No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 07 de abril, uma pesquisa da Universidade de Stanford (EUA) identificou que uma em cada dez crianças pode ter a aprendizagem nas escolas impactada por deficiências visuais ou dificuldades auditivas

Um relatório recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento evidencia um problema real: crianças com déficits sensoriais são subdiagnosticadas. Essas crianças estão na escola, mas permanecem “invisíveis” nos sistemas educacionais. Isso impacta diretamente a aprendizagem.

O conceito científico de “deficiências invisíveis” abrange condições que afetam o funcionamento (como visão, audição ou cognição) e que não são facilmente percebidas por professores ou familiares.

A literatura mostra que déficits sensoriais prejudicam a leitura e a linguagem, além de aumentarem o risco de evasão escolar e dificuldades socioemocionais.

O Censo Escolar, do Ministério da Educação (MEC), apontou, em 2025, um crescimento consistente no número de estudantes com deficiência em relação aos anos anteriores, sendo a maior parte deles na educação básica.

Para a médica oftalmologista Caroline Cariali, essas condições podem passar despercebidas por pais e professores. “Por não serem facilmente identificáveis, acabam sendo confundidas com desatenção, dificuldade de aprendizagem ou até desinteresse dos alunos. Como consequência, crianças podem enfrentar prejuízos no rendimento escolar e no desenvolvimento cognitivo”, explica.

De acordo com Caroline, muitas crianças não sabem que enxergam mal, pois nunca tiveram uma referência diferente. “Isso faz com que a baixa visão não seja diagnosticada por anos, causando grande prejuízo”, afirma.

Ela ressalta que sinais como dificuldade para copiar do quadro, aproximação excessiva de livros ou telas, piscar os olhos com frequência maior que o habitual e baixo rendimento escolar podem indicar problemas oftalmológicos.

“O diagnóstico precoce é fundamental. Quando identificamos e tratamos essas alterações a tempo, conseguimos evitar impactos importantes no desenvolvimento educacional e até emocional da criança”, afirma Caroline.

Erros de refração

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os erros de refração não corrigidos são a principal causa de déficit visual entre crianças brasileiras.

Mas o que são erros de refração?

“Os erros de refração, ou refrativos, ocorrem quando há alterações no tamanho do olho ou no formato da córnea ou do cristalino. Nesses casos, os raios de luz não são focalizados corretamente na retina, causando alterações na formação da imagem”, explica a oftalmologista.

Entre os erros mais comuns estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo. Grande parte desses casos não é diagnosticada ou não recebe um tratamento simples, como o uso de óculos.

Cuidados

Caroline alerta que a atenção com a saúde ocular deve começar desde o nascimento, com a realização do teste do reflexo vermelho — popularmente conhecido como Teste do Olhinho —, capaz de identificar diversos problemas, como catarata congênita e alterações na retina.

Esses cuidados devem continuar ao longo da infância e da adolescência, com avaliações frequentes dos olhos e da visão

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