Em outubro de 2026, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a ONU alertaram para um episódio de El Niño de intensidade “sem precedentes”, com previsão de atingir o pico máximo no final do ano e persistir até o início de 2027.
São esperados muita seca no Norte/Nordeste e muito calor ou chuvas irregulares nas outras regiões. Além dos efeitos respiratórios, essas condições também podem prejudicar os olhos, causando ardência, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de embaçamento. O contato com partículas de poeira e poluentes pode agravar o desconforto, especialmente em pessoas que já apresentam olho seco ou alergias oculares.
Dois episódios recentes ajudam a ilustrar esse cenário. No Piauí, um idoso de 80 anos viralizou nas redes sociais após ser filmado sentado tranquilamente enquanto um redemoinho de areia passava em frente à sua casa, em Picos. O fenômeno, levantou poeira e detritos, que podem atingir os olhos e até provocar lesões. Já no Amazonas, a fumaça de queimadas voltou a comprometer a qualidade do ar em diversas cidades. A exposição aos poluentes presentes na fumaça pode causar irritação ocular, coceira e lacrimejamento, além de afetar o sistema respiratório.
Cuidado com os olhos
Em períodos de baixa umidade do ar, a lágrima pode evaporar mais rapidamente, comprometendo a lubrificação natural dos olhos. Já as partículas presentes na fumaça e na poeira podem entrar em contato com a superfície ocular e desencadear irritação e processos inflamatórios.
Segundo a oftalmologista Sylvia Passamani, do Hospital de Olhos Vitória (HOV), é importante não banalizar os sintomas que aparecem ou se intensificam em períodos de condições climáticas adversas. A irritação pode parecer passageira, mas merece atenção quando persiste ou vem acompanhada de outros sinais.
“A superfície dos olhos está constantemente exposta ao ambiente e pode sofrer os efeitos das mudanças na qualidade do ar. A fumaça, a poeira e o tempo seco podem intensificar o ressecamento e a irritação. Por isso, é importante observar os sintomas e evitar a exposição aos agentes que provocam o desconforto”, explica.
Entre os cuidados recomendados não esfregar os olhos, manter a hidratação ocular (com colírios), e a do corpo (beber água) e evitar que ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado fiquem direcionados diretamente ao rosto. O uso de colírios, mesmo lubrificantes, deve considerar a necessidade individual e a orientação de um profissional de saúde, com avaliação oftalmológica
Em um cenário de condições climáticas cada vez mais desafiadoras, reconhecer os riscos e adotar medidas preventivas é fundamental para preservar a saúde ocular.
