O diabetes é uma doença crônica que afeta mais de 530 milhões de pessoas em todo o mundo. O Dia Mundial da Diabetes, celebrado nesta quinta-feira, 14 de novembro, foi criado em 1991 para reforçar a importância da conscientização a respeito da doença, principalmente para evidenciar a importância da prevenção. No Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas vivem com a doença, o que representa 6,9% da população nacional, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. No Espírito Santo, os adultos portadores de diabetes ultrapassam os 368 mil casos, de acordo com o IBGE.
Além das complicações causadas pela falta ou baixa produção de insulina, com o tempo, os altos níveis de glicose no sangue podem afetar diversos órgãos do corpo, e a saúde ocular é uma das áreas mais vulneráveis. Quando os níveis de glicose não são bem controlados, o risco de complicações oculares aumenta consideravelmente, podendo levar à perda de visão irreversível.
Como o diabetes afeta a visão?
A oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória, Isabel Gazele, explica que a diabetes pode afetar a visão de diversas maneiras, mas principalmente pelos altos níveis de glicose no sangue, que, com o tempo, danificam os vasos sanguíneos dos olhos. “Entre as complicações oculares mais comuns associadas à doença, destacam-se a retinopatia diabética, a catarata e o glaucoma”.
A retinopatia diabética é a complicação ocular mais grave relacionada ao diabetes. Ela ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos da retina, a parte do olho responsável pela captação e transmissão das informações visuais para o cérebro. Nos estágios iniciais, a retinopatia pode ser assintomática, o que torna ainda mais importante a detecção precoce. Se não tratada, pode evoluir para cegueira. A doença se desenvolve em três estágios: leve, moderado e grave, sendo que, no estágio mais avançado, pode ser necessária intervenção cirúrgica.
“Além disso, pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver catarata, uma condição em que o cristalino do olho fica opaco, dificultando a visão. A catarata diabética tende a se desenvolver mais rapidamente em indivíduos com índice glicêmico inadequado, o que torna o controle rigoroso da glicose ainda mais importante”, pontua a médica.
Outro problema ocular comum em diabéticos é o glaucoma, uma condição que danifica o nervo óptico, muitas vezes associada ao aumento da pressão intraocular. Pessoas com diabetes têm um risco maior de desenvolver glaucoma, especialmente se a doença não estiver bem controlada. Essa condição pode levar à perda de visão irreversível se não for tratada adequadamente.
“Manter o controle glicêmico dentro dos níveis recomendados é fundamental para reduzir o risco dessas complicações oculares e preservar a saúde da visão ao longo do tempo. Estudos mostram que o controle rigoroso da glicose no sangue pode reduzir significativamente o risco de retinopatia diabética e outras complicações oculares, desde que o paciente tenha uma dieta balanceada, pratique atividade física regular e faça o uso adequado dos medicamentos prescritos”, destaca doutora Isabel.
A detecção precoce das complicações oculares relacionadas ao diabetes é essencial para um tratamento eficaz. “Todos os diabéticos, especialmente aqueles com mais de cinco anos de diagnóstico, devem realizar exames oftalmológicos regulares, que incluem a dilatação da pupila para verificar a saúde da retina. Uma dica valiosa é que, mesmo que a visão não esteja alterada, é fundamental fazer consultas e exames regulares, pois muitas complicações começam de forma silenciosa, sem sintomas visíveis”, enfatiza a médica.