Risco de problemas de visão é maior nas mulheres

Longevidade, alterações na gravidez e fatores hormonais tendem a comprometer a saúde ocular feminina

 

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo sábado, 8 de março, um dado da Organização Mundial de Saúde (OMS) aparece como um alerta para a saúde feminina ao apontar que 55% das pessoas com perda visual são mulheres. A explicação se dá pela própria expectativa de vida, que tende a ser maior entre elas, além de fatores hormonais, especificações biológicas e possíveis alterações no período gestacional.

Segundo a oftalmologista Marilia Vilas Boas, do Hospital de Olhos Vitória (HOV), as doenças mais comuns nas pacientes do sexo feminino são catarata, glaucoma, síndrome do olho seco, retinopatia diabética e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). “São problemas que podem se tornar graves. Por isso, a importância das consultas regulares ao oftalmologista e do diagnóstico precoce para que a pessoa seja submetida ao tratamento adequado”, orienta.

A médica ressalta que a catarata é principal causa de cegueira no mundo. “Nas mulheres, há um precedente para o surgimento da doença que é a longevidade feminina, ocasionando o envelhecimento natural do tecido, acompanhada das alterações hormonais que elas vivenciam ao longo dos anos, comprometendo a saúde do cristalino, que é a lente natural do olho”, explica.

Já a síndrome do olho seco, caracterizada por baixa produção ou má qualidade das lágrimas, tem ligação direta com a menopausa, quando a mulher sofre uma redução dos níveis de estrogênio e andrógenos. A DMRI, também comum entre as mulheres, afeta a retina do olho e causa baixa visão central, sendo uma das maiores causas de deficiência visual em idosos.

Por conta dos globos oculares menores, as mulheres têm três vezes mais chance de desenvolver glaucoma de ângulo fechado. Os sintomas incluem aumento da pressão intraocular, visão turva, presença de flashes luminosos ou arco-íris e, em casos mais graves, a perda transitória da visão.

A gravidez é outra fase que exige atenção e acompanhamento médico, uma vez que há mulheres por diabetes e hipertensão na gestação. “São quadros que geralmente regridem após o parto, mas existe a possibilidade de sequelas, como o surgimento da retinopatia diabética”, complementa a Dra. Marilia Vilas Boas. 

A prevenção, de acordo com a oftalmologista, é ainda a melhor forma de cuidar da saúde ocular. “É preciso fazer as consultas anuais com o especialista, estar atenta ao histórico familiar, cuidar da alimentação, ingerindo antioxidantes e ômega-3, e não abrir mão dos óculos com proteção UV”, finaliza.

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